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A importância do sono

Cláudia de A. Ferreira Salum e Renata Nunes Bonaccorsi

Pesquisas atuais comprovam que maus hábitos de sono, práticas educacionais flexíveis e a presença de mídia eletrônica no quarto da criança estão relacionados com menores habilidades de atenção e pior desempenho escolar.

Desta forma, é fundamental melhorar os hábitos de sono das crianças e para isso precisamos do envolvimento de toda a família. A criança dificilmente vai adormecer se as luzes dos ambientes perto do seu quarto estiverem acesas, se a televisão da sala estiver ligada ou alguém estiver conversando ao telefone, por exemplo. O ritmo da casa inteira tem que baixar, afinal, vai ser bom para todos mesmo que cause estranhamento no começo. Talvez seja interessante até mesmo trocar as lâmpadas “brancas” pelas “amarelas”, para se livrar das frequências de ondas azuis que as lâmpadas brancas emitem inibindo a produção do hormônio regulador do sono, a melatonina. Estas ondas azuis também são emitidas através das telas dos celulares, das TVs e dos aparelhos eletrônicos em geral. Por isso devem ser evitadas a todo custo inclusive pelos pais.

Esses hábitos desregulam o relógio biológico cerebral interferindo na qualidade do hormônio do crescimento (GH), adrenocorticotrófico (ACTH), atuando sobre as suprarenais, nas reações ao estresse e respostas imunes e o hormônio estimulante da tireoide (TSH).

Bebês e crianças até 8 ou 9 anos tendem a ter uma agenda cheia pela manhã e não é estranho um filho pequeno acordar os pais assim que o dia raia. Já na adolescência, o quadro se inverte. A explosão de hormônios que começa aos 10 ou 11 anos faz com que os ritmos biológicos se atrasem. Os jovens sentem sono tarde e, por isso, não querem levantar cedo. Alguns conseguem se adaptar melhor a essa situação. Outros apresentam grande dificuldade e são tratados como preguiçosos pelos professores e pela família. A falta de concentração também pode se manifestar em aulas mais longas e ser confundida com indisciplina. Mas o desligamento dos estudantes em alguns momentos também é explicado pelo relógio biológico.

Um estudo realizado na Austrália, concluiu que cada indivíduo tem uma predisposição genética para acordar cedo ou tarde, mas durante as mudanças hormonais da adolescência, os jovens começam a dormir mais tarde e, quando possível, também acordam mais tarde. A causa da mudança é a melatonina, que na puberdade, é secretada cada vez mais tarde. Os fatores ambientais como a luz artificial, por exemplo, que tende a reduzir a quantidade de melatonina secretada, e o uso do computador, que faz o jovem “se esquecer do sono”, também interferem.

Um fator é unanimidade: o sono é importante para consolidar o aprendizado, pois os arquivos de memória são produzidos durante o sono e se dormirmos mal, nós iremos memorizar mal aquilo que foi aprendido. A redução da quantidade de horas de sono também irá dificultar o controle das emoções e a consolidação de memórias, que são fundamentais no processo de aprendizagem.

Algumas dicas:

1) Estabeleça horários regulares para dormir e despertar;
2) Evite atividades que estimulem a vigília após as 19 horas como internet, games, TV, celular e discussões;
3) Estabeleça uma rotina de relaxamento na hora de deitar como um banho morno, leitura ou alongamento;
4) Exercício físico pode ajudar o sono desde que realizado antes das 18 horas, após esse horário é excitante e pode atrapalhar;
5) O quarto deve ser ventilado, silencioso, com temperatura agradável e sem eletrônicos (deixe-os na sala);
6) Cama na infância é só para dormir, não foi feita para fazer lições ou brincar…;
7) Deixar o filho ir para a sua cama pode parecer inofensivo mas pode ser um vício difícil de tirar;
8) Assegure exposição adequada à luz natural para o ajuste natural do relógio biológico (dormir e acordar cedo faz muito bem à saúde);
9) Não deixe que usem cafeína (café, refrigerantes `a base de cola, chá preto e chocolate) após às 18 horas;
10) Evite comidas com alto teor de gordura e prefira as de digestão rápida como uma massa leve ou um sanduíche natural.